PRÓLOGO
Hipócrates já afirmava há milhares de anos: “Deixa o alimento ser tua cura”. Ele viveu em
uma época de quase total inexistência de medicamentos e os mesmos eram preparados
empiricamente. Não existiam grandes multinacionais de indústrias farmacêuticas ou de
alimentos interessadas em explorar seu consumo.
Hoje vivemos uma realidade diferente e estamos fortemente abastecidos de remédios.
Todo ano, dezenas e até centenas de medicamentos novos ou com pequenas variantes
são incorporados ao mercado da farmacotecnologia.
Todo dia, algumas propriedades nutricionais são encontradas em diferentes tipos de
alimentos, as indústrias de suplementos terminam desenvolvendo a substância isolada,
como se esta fosse suficiente para resolver os problemas da humanidade.
Estamos em um momento importante, no qual devemos aproveitar os efeitos benéficos
de tudo o que a evolução nos oferece. Sem dúvida alguma, o uso de medicamentos é
de vital importância no controle dos sintomas e na melhora da qualidade de vida.
Os alimentos são primordiais porque são a fonte de nossa existência, e os
suplementos e os nutrientes, quando utilizados adequadamente, assim como as
terapêuticas farmacológicas, nos permite restabelecer o equilíbrio dentro do organismo.
É importante lembrar que este equilíbrio é determinado por uma formação de energia
pelas fontes alimentícias que lhe são administradas. Este mecanismo é denominado
de formação bioquímica e permite que o organismo funcione em condições fisiológicas.
Quando estas são interferidas por alterações na função bioquímica, desenvolveremos
a fisiopatologia de difícil patologia e, finalmente, a patologia em si.
A maior parte dos tratamentos farmacológicos já visa à parte patológica. A alimentação
visa, predominantemente, a parte bioquímica e a suplementação visa a modulação da
bioquímica à fisiopatologia.
Entendendo-se desta maneira, nós temos o caminho aberto para estudar de forma
muito mais coerente as medidas necessárias para estabelecer o equilíbrio do
organismo.
A minha colaboradora, a doutora Maria Inês, desenvolveu um trabalho maravilhoso
durante muitos anos para encontrar as correlações por nutrientes essenciais nos
alimentos e poder restabelecer com a comida, baseado no critério de Hipócrates,
a homeostase do meio interno.
É importante ressaltar que este livro termina sendo uma fonte extensa, rica em
informações, abundante em sugestões que permitam modificar, principalmente, a
cabeça do médico e permitir enxergar o paciente como um todo e não, simplesmente,
como um carente de medicamentos.
Não existe carência medicamentosa. Existe, sim, carência de alimentos, de
suplementos e de nutrientes, e isto é um fato consumado. A maior parte dos
medicamentos vem da natureza e sofrem modificações químicas e estruturais
para poderem ser patenteados. Muitos destes produtos já são tóxicos in natura e,
muitas vezes, terminam sendo muito mais tóxicos quando sofrem estas modificações,
e são tóxicas quanto mais efetivas, quando tentamos que estes medicamentos sejam.
A maior parte dos suplementos é predominantemente atóxica, inclusive em doses
altas, até quando pessimamente administrados pelo profissional da área de saúde.
Mas muitas vezes podem ser tóxicos por virem associados com contaminantes que
podem interferir em suas propriedades benéficas.
O importante neste livro é dar-lhe a sua utilidade prática. Não é um Vade Mecum com
fórmulas prontas. É um livro que orienta e permite o uso racional, que é denominado
ortomolecular por uma avaliação funcional total do paciente.
O paciente é uma máquina em funcionamento e tem que ser tratada com as peças
andando. Poucas peças podem ser intercambiadas e a maioria delas tem que ser
preservada. E, para isso, uma interação inteligente entre a bioquímica, a fisiologia e a
fisiopatologia permitirá monitorizar a maior parte das patologias, permitindo, assim,
que tenhamos uma melhor qualidade de vida nos anos em que ainda viveremos.
Uma ótima leitura.
Dr. Efrain Olszewer
Diretor e professor da FAPES e diretor científico/editorial da revista de
Bioquímica Médica Aplicada à Prática Ortomolecular.
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